Contra-indicação
Só queria que essa situação chata passasse, de uma vez por todas. Acho que o tão esperado aniversário do ano que vem não será tão feliz assim, talvez.
Sinto como se todos meus sonhos mais próximos estivessem desmoronando, tudo por causa daquilo que a gente chama de família. Família que na verdade não é nada, a não ser algo destruidor de tudo. Demolidor de alianças e sentimentos, algo que não consegue ser sustentado, mesmo quando alguém já tentou reerguer tudo.
Os galhos mais novos acabam sofrendo as consequências, e adquirindo hábitos e vícios estúpidos. Um apartheid social e íntimo, um câncer que corrói tudo. Um veneno, que ironicamente, pinga sem celeridade alguma, ruindo todos os tecidos, necrosando aquilo que encontra pelo caminho.
Os galhos sempre são os primeiros a sofrerem com a geada, de certa forma. São os primeiros a ficar congelados…Frios, distantes. Mas, ao mesmo tempo que a árvore toda pode estar seca, algum galho sobrevive, persistindo, não desistindo da vida.
Se eu tenho certeza de uma coisa, e certeza das coisas que eu quero, coisas estas que ninguém pode interferir no resultado final, ao menos eu. E eu não vou repetir os erros que eu fiz no passado. Não dessa vez.
Ter você comigo, seus abraços, seu olhar, sua voz… Acho que são estas as coisas que ainda me mantém com um pingo de esperança e força.
Vai ter uma hora que terei que conversar com você sobre isso, conversar sobre aquelas coisas “probidas de discutir fora de casa”. É, desta vez vou contrariar as regras, e foda-se.
Só não sei quando. Preciso estar preparada. Ou pelo menos parar de chorar toda maldita vez que penso nisso.
Minha cabeça lateja, tudo gira e meu peito dói. Aquela falta de ar que reclamei hoje cedo parece ser de verdade. Estou pensando em sumir no final do ano, é o único jeito que encontro agora. Ainda preciso resolver isso com as pessoas certas.
É, falarei com você sobre isso também. Só não se “assuste” [?] ao ver que o “castelinho” está mais para uma cabaninha, ou um porão, um calabouço úmido e frio, ou sei lá o que preferir.
Merda, lá vai eu voltar a chorar de novo. Nem nesses momentos a “família fica unida”. Pelo contrário.
Eu mesma terei que construir a “família dos meus sonhos”, assim como planejava com Thaissa, que sabe muito bem do que estou falando. Embora ela tenha desistido no meio do caminho.
É cada bomba uma em cima da outra…
Acho que é isso. Como sempre dou meus pulos e me viro. Talvez.
Ah, desculpa (de novo) por não ter atendido o telefone. Eu estava impraticavelmente absorta em lágrimas, nunca que eu ia conseguir soltar um “alô” sequer. Espero que tenha recebido as mensagens.
Nos vemos mais tarde. E, eu amo você.