I hate this part right here ¬¬
Outra vez me vi diante de seus olhos. A sua voz em veludo mortal, seu sorriso manso que seus lábios esboçavam, mais uma vez me matando. Corroendo-me; corrompendo. Destruindo o pouco de sanidade que ainda me resta. Ou restava.
Brincando com meus sentidos, sendo capaz de me deixar irracional.
Você, que se aproxima como uma vaga tempestuosa, por favor: leve consigo as espumas também, não as deixe sobre os meus pés, sobre minha areia, sobre minhas mãos. A culpa que tenho já me basta. Para nós dois. Ou ainda não é o suficiente? Ou através disso pretende me enviar sinais, uma vez mais?
Sei que essa água é responsável pela consistência de minhas cóleras. Para lembrar quem eu fui. Para entender quem eu sou.
Mas, isso machuca. Dilacera, fere meu corpo, fazendo-o prostrar-se frente aquilo que mais temia, e que hoje aprendeu a lidar: o orgulho próprio.
Não mais a mesma serei, pois aquela se foi para dar lugar a esta, que permeia entre realidades difusas e enevoadas. Entre conchas vazias e mares de vida; entre areias e rochedos. Entre a sombra e o horizonte.
Porém, esta também se vai, para dar lugar a outra. Indubitavelmente.
Entre lágrimas e resignações ela voa, assim como uma ave que nunca esquecerá o caminho da Primavera.